Coleiras com GPS e precisão no estudo das preguiças

Estudar as localizações por GPS de um animal que não se move muito é um desafio, em comparação com o estudo de espécies que se deslocam muito, como as baleias e as chitas. Ao estudar as preguiças, a precisão é o aspeto em que nos devemos concentrar.

A preguiça chamada Suzi, com uma coleira com GPS. | Foto: Rona Neri

Hoje, queremos mostrar-vos como são os dados de GPS das coleiras que utilizamos e como os utilizamos no âmbito do Projeto Urban Sloth.


Preguiças e Pontos

Na imagem abaixo, podem ver as localizações por GPS, representadas pelos pontos verdes e vermelhos, do Lee, uma das nossas preguiças urbanas. Estes dados ainda estão «em bruto» e precisam de ser processados: ainda não são tão precisos quanto precisamos que sejam (provavelmente vão reparar nos pontos no meio do oceano!). 

Os pontos são gerados a cada três horas e são registados com base nos satélites disponíveis nesse momento: os pontos verdes são os mais próximos da localização correta e foram gerados através da triangulação do sinal de vários satélites, enquanto os pontos vermelhos indicam uma localização aproximada (uma vez que, nesse momento específico, havia muito menos sinais de satélite). 

Portanto, os pontos vermelhos não são precisos, mas alguns dos verdes também não são…

Como é que sabemos quais são os pontos mais precisos?

Filtramos os dados para obter os pontos GPS mais precisos com base no HDOP e na disponibilidade dos satélites:

  • A Diluição Horizontal da Precisão (HDOP) é uma medida que nos permite saber qual é a precisão das nossas leituras de GPS, especificamente no plano horizontal. Um valor de HDOP mais baixo significa maior precisão, enquanto valores mais elevados indicam menor precisão nos dados de localização.

  • Disponibilidade de satélites. O software também permite ver o número de satélites dentro do alcance no momento em que o ponto GPS foi registado. Para que o ponto GPS seja fiável, é necessário que tenham sido triangulados, pelo menos, cinco sinais de satélite.

Por fim, sobrepunho os dados filtrados aos pontos de GPS que recolhemos manualmente durante o rastreio no terreno. Embora não possamos ter 100% de certeza quanto à precisão de cada ponto de dados, este processo permitirá identificar os mais precisos e aqueles que podem ser descartados.


Isto é apenas o começo

As localizações por GPS das preguiças são apenas uma variável no panorama geral do Projeto Preguiça Urbana: na realidade, dispomos também de, literalmente, milhares de milhões de pontos de dados diferentes, tais como níveis de ruído, temperatura ambiente, humidade, altitude e outras informações relevantes, além de todos os dados relativos à atividade. É um caminho realmente longo e lento até vermos os primeiros resultados!

Amelia Symeou - Cientista de dados | Projeto Preguiça Urbana

Originária do Reino Unido, estudou Ciências Bioveterinárias no Royal Veterinary College, em Londres, antes de se dedicar à conservação e à ecologia.

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